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Como proteger meus filhos na internet? Guia para pais e responsáveis

Como proteger meus filhos na internet: dicas simples para uma navegação mais segura

A internet faz parte da vida das crianças e dos adolescentes. Ela é usada para estudar, conversar com amigos, assistir a vídeos, jogar, pesquisar, criar conteúdo e descobrir novos interesses.

Proibir completamente o acesso à internet, na maioria dos casos, não é uma solução realista. O desafio é ajudar crianças e adolescentes a aproveitar os benefícios do ambiente digital sem ficarem desprotegidos diante de riscos como cyberbullying, golpes, exposição a conteúdo inadequado, roubo de informações, contato com desconhecidos, abuso e exploração sexual.

E existe uma mudança importante nesse cenário: a proteção das crianças na internet não depende apenas dos pais.

No Brasil, o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), Lei nº 15.211/2025, estabeleceu novas regras para produtos e serviços digitais direcionados a crianças e adolescentes ou que tenham acesso provável por esse público. A legislação prevê medidas relacionadas à segurança, privacidade, proteção de dados, supervisão parental e prevenção de diferentes formas de violência no ambiente digital.

Mas o papel da família continua sendo fundamental.

Então, como proteger meus filhos na internet?

A resposta começa muito antes de instalar um aplicativo de controle parental.

A primeira proteção é conversar

Uma das recomendações mais importantes do UNICEF é estabelecer conversas honestas com os filhos sobre como eles utilizam a internet, com quem conversam e quem pode visualizar aquilo que publicam.

Isso parece simples, mas faz uma enorme diferença.

Uma criança que tem medo de contar aos pais que recebeu uma mensagem estranha pode tentar resolver o problema sozinha.

Um adolescente que acredita que perderá o celular se admitir que sofreu cyberbullying pode simplesmente esconder o que está acontecendo.

Por isso, uma regra importante deveria ser:

se alguma coisa na internet deixar seu filho assustado, constrangido, ameaçado ou desconfortável, ele precisa saber que pode contar com você.

O objetivo não é criar um ambiente em que a criança tenha medo da tecnologia.

É criar um ambiente em que ela saiba quando e como pedir ajuda.

Explique que a internet deixa uma pegada digital

Crianças e adolescentes podem não perceber que uma fotografia publicada hoje pode continuar circulando durante anos.

O UNICEF recomenda conversar com os filhos sobre a chamada pegada digital: fotos, vídeos, comentários e outras informações compartilhadas online podem deixar registros difíceis de controlar ou apagar posteriormente.

Por isso, antes de publicar alguma coisa, vale ensinar algumas perguntas simples:

  • Eu gostaria que isso fosse visto por outras pessoas?
  • Eu conheço quem poderá receber essa informação?
  • Estou mostrando alguma informação sobre onde moro ou estudo?
  • Essa imagem poderia me constranger no futuro?
  • Estou publicando algo sobre outra pessoa sem autorização?

Não se trata de ensinar a criança a ter medo de publicar.

É ensinar que publicar é diferente de conversar em particular.

Ensine quais informações nunca devem ser compartilhadas

Crianças precisam aprender desde cedo que determinadas informações são pessoais.

Entre elas estão:

  • nome completo;
  • endereço;
  • telefone;
  • nome da escola;
  • rotina diária;
  • localização em tempo real;
  • senhas;
  • códigos de autenticação;
  • dados bancários;
  • documentos;
  • fotografias íntimas;
  • informações sobre familiares.

O UNICEF recomenda orientar crianças e adolescentes a proteger informações pessoais e utilizar adequadamente as configurações de privacidade das plataformas.

Uma regra simples pode ajudar:

Se você não entregaria essa informação a um desconhecido na rua, pense duas vezes antes de colocá-la na internet.

Ensine seu filho a desconfiar de desconhecidos também no ambiente digital

Uma pessoa pode parecer amigável em uma rede social, jogo online ou aplicativo de mensagens.

Isso não significa que ela seja quem diz ser.

O UNICEF recomenda que crianças tenham cuidado ao aceitar solicitações de amizade e procurem verificar quem está por trás de um perfil.

Isso é especialmente importante em jogos online e redes sociais.

Um perfil pode utilizar:

  • fotografia de outra pessoa;
  • nome falso;
  • idade falsa;
  • informações copiadas de outra conta;
  • imagens geradas ou manipuladas por inteligência artificial.

Por isso, ensine seu filho que uma pessoa conhecida apenas pela internet continua sendo uma pessoa desconhecida até que sua identidade seja confirmada por outros meios apropriados.

Cuidado com o contato de adultos desconhecidos

Esse é um dos riscos mais sérios do ambiente digital.

Redes sociais, aplicativos de mensagens, jogos online e outras plataformas podem ser utilizados para estabelecer contato com crianças e adolescentes.

Um estudo do UNICEF Innocenti, ECPAT International e INTERPOL publicado em 2026 identificou que, no Brasil, 19% das crianças e adolescentes de 12 a 17 anos entrevistados relataram ter sofrido exploração e/ou abuso sexual facilitados pela tecnologia em um período de um ano. O estudo estima cerca de 3 milhões de vítimas nessa faixa etária.

O dado exige atenção, mas também exige responsabilidade na forma como conversamos com nossos filhos.

Não basta dizer:

“Não fale com estranhos.”

É melhor explicar por quê.

E também ensinar que, se alguém:

  • pedir segredo;
  • pedir fotos;
  • insistir em uma conversa privada;
  • tentar afastá-lo dos pais;
  • oferecer presentes ou dinheiro;
  • fizer ameaças;
  • pedir informações pessoais;
  • tentar marcar um encontro;

é importante interromper o contato e contar imediatamente a um adulto de confiança.

Não transforme o controle parental em espionagem

Ferramentas de controle parental podem ser úteis, especialmente para crianças mais novas.

Mas existe uma diferença entre supervisionar e espionar.

O próprio ECA Digital estabelece que crianças e adolescentes têm direito de ser educados, orientados e acompanhados por seus pais ou responsáveis quanto ao uso da internet, incluindo o cuidado ativo e contínuo e ferramentas de supervisão parental adequadas à idade e ao estágio de desenvolvimento.

A idade importa.

Uma criança pequena pode precisar de controles muito mais restritivos.

Um adolescente, por outro lado, precisa progressivamente desenvolver autonomia e responsabilidade.

O ideal é que as regras sejam explicadas e, conforme a idade e maturidade aumentam, sejam revistas.

Use controle parental quando fizer sentido

Ferramentas de controle parental podem ajudar a reduzir a exposição a conteúdos inadequados e estabelecer limites de utilização.

Entre os recursos disponíveis atualmente estão:

  • filtros de sites;
  • pesquisa segura;
  • bloqueio de categorias;
  • gerenciamento do tempo de tela;
  • relatórios de uso;
  • controles de aplicativos;
  • recursos de localização.

O Kaspersky Safe Kids, por exemplo, oferece ferramentas de filtragem de conteúdo, gerenciamento de tempo de tela, localização e relatórios de atividade.

Mas nenhuma ferramenta substitui a educação digital.

Um adolescente determinado a contornar uma regra pode procurar maneiras de fazê-lo.

Por isso, controle parental funciona melhor quando vem acompanhado de diálogo.

Configure a privacidade das redes sociais

Não deixe as configurações de privacidade no padrão sem verificar o que elas permitem.

O UNICEF recomenda revisar as configurações das plataformas para controlar quem pode visualizar informações, inclusive localização, e limitar a exposição de dados pessoais.

Dependendo da plataforma, verifique:

  • quem pode visualizar o perfil;
  • quem pode enviar mensagens;
  • quem pode comentar;
  • quem pode marcar a criança;
  • quem pode encontrar a conta;
  • se a localização está sendo compartilhada;
  • quais aplicativos têm acesso à conta;
  • quais dados estão sendo coletados.

Essas configurações podem mudar com atualizações dos aplicativos.

Por isso, não basta configurá-las uma única vez.

Mantenha celular, computador e tablet atualizados

Atualizações não servem apenas para adicionar novos recursos.

Elas também podem corrigir vulnerabilidades de segurança.

O UNICEF recomenda manter os dispositivos utilizados pelas crianças atualizados e executando as versões mais recentes de seus softwares.

Isso vale para:

  • smartphones;
  • tablets;
  • computadores;
  • consoles;
  • relógios inteligentes;
  • outros dispositivos conectados.

Também é importante manter aplicativos atualizados.

Use uma solução de segurança

Um dispositivo utilizado por uma criança pode receber links, arquivos, aplicativos e mensagens de diferentes fontes.

Por isso, além das configurações de privacidade, vale manter uma solução de segurança adequada ao dispositivo.

O próprio guia de privacidade do UNICEF recomenda o uso de antivírus para proteger os dispositivos.

Uma solução de segurança pode ajudar a identificar malware, sites maliciosos e outras ameaças.

Mas, novamente, ela não substitui a educação.

Uma criança pode ser enganada por um golpe mesmo que o celular não tenha nenhum vírus.

Ensine seu filho a reconhecer phishing

Nem todo golpe começa com um malware.

Uma mensagem pode simplesmente tentar convencer a criança a clicar em um link e entregar uma senha.

Por exemplo:

“Você ganhou um prêmio!”

“Sua conta será bloqueada.”

“Clique para receber sua recompensa.”

“Seu jogo precisa ser atualizado.”

“Você foi selecionado.”

Ensine a criança a desconfiar de mensagens que criam urgência, medo ou expectativa de recompensa.

Antes de clicar, ela deve perguntar:

Eu esperava receber essa mensagem?

Conheço quem enviou?

O endereço do site parece correto?

Estão pedindo uma senha ou código?

Se houver dúvida, o melhor é perguntar a um adulto.

Senhas também precisam de proteção

Ensine seu filho a não compartilhar senhas com amigos.

O UNICEF recomenda que crianças e adolescentes mantenham suas senhas privadas, inclusive em relação a amigos próximos.

Sempre que possível, utilize:

  • senhas fortes e únicas;
  • autenticação multifator;
  • gerenciador de senhas;
  • recuperação de conta protegida.

E explique que código de autenticação não deve ser enviado para outra pessoa.

Se alguém pedir um código recebido por SMS ou aplicativo de autenticação, isso deve ser tratado como um sinal de alerta.

Cuidado com aplicativos e jogos

Antes de permitir que uma criança instale um aplicativo, vale verificar:

  • quem desenvolveu o aplicativo;
  • quais permissões ele solicita;
  • qual idade é indicada;
  • que tipo de conteúdo está disponível;
  • se existe comunicação com outros usuários;
  • se há compras dentro do aplicativo;
  • quais informações pessoais são coletadas.

O UNICEF recomenda que pais e responsáveis conheçam os aplicativos, jogos e outras formas de entretenimento utilizados pelos filhos e estejam atentos a possíveis riscos de conteúdo ou privacidade.

Isso é especialmente importante em jogos multiplayer.

O fato de um jogo ser destinado a crianças não significa que todas as pessoas presentes nas salas ou partidas sejam crianças.

Jogos online também exigem atenção

Jogos podem ser excelentes ferramentas de diversão, criatividade e socialização.

Mas alguns permitem:

  • chat de texto;
  • chat de voz;
  • mensagens privadas;
  • criação de grupos;
  • troca de itens;
  • compras;
  • interação com desconhecidos.

Por isso, confira as configurações de privacidade e comunicação do jogo.

Se o recurso não for necessário para a criança, considere desativá-lo.

E converse sobre o que ela deve fazer caso outro jogador comece a fazer perguntas pessoais ou comportamento inadequado.

Ensine sobre cyberbullying

Cyberbullying é o bullying praticado por meio de tecnologias digitais.

Segundo o UNICEF, ele pode acontecer em redes sociais, plataformas de mensagens, jogos e celulares. Pode envolver espalhar mentiras, compartilhar imagens constrangedoras, enviar ameaças ou se passar por outra pessoa.

O problema é que, no ambiente digital, o conteúdo pode alcançar muitas pessoas rapidamente e permanecer disponível.

Por isso, se seu filho estiver sofrendo cyberbullying:

  1. converse com ele;
  2. não culpe a vítima;
  3. registre as evidências;
  4. bloqueie o agressor quando apropriado;
  5. denuncie o conteúdo na plataforma;
  6. procure a escola quando houver relação com o ambiente escolar;
  7. procure ajuda especializada ou autoridades quando houver ameaça ou violência.

O UNICEF recomenda guardar mensagens e capturas de tela que possam ajudar a demonstrar o que aconteceu.

Observe mudanças de comportamento

Nem toda mudança de comportamento significa que existe um problema online.

Mas alguns sinais merecem atenção.

Por exemplo, a criança pode:

  • ficar repentinamente muito reservada;
  • demonstrar medo ao receber mensagens;
  • evitar determinadas plataformas;
  • ficar angustiada depois de usar o celular;
  • perder o interesse em atividades que antes gostava;
  • apresentar mudanças importantes no sono;
  • demonstrar medo de conversar sobre o que acontece online.

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania também aponta mudanças de comportamento, isolamento e medo excessivo como possíveis sinais de violência que merecem atenção.

Isso não significa que esses sinais provem que houve violência.

Significa que eles podem justificar uma conversa cuidadosa.

Não retire imediatamente o celular se seu filho pedir ajuda

Essa pode ser uma das reações mais difíceis para os pais.

Imagine que seu filho conte que recebeu uma mensagem inadequada.

A reação automática pode ser:

“Eu avisei! Vou tirar seu celular.”

O problema é que isso pode ensinar a criança uma lição perigosa:

“Se eu contar o que aconteceu, vou perder o acesso à internet.”

Na próxima vez, ela pode simplesmente ficar em silêncio.

Uma reação mais útil é primeiro entender o que aconteceu e proteger a criança.

Depois, se necessário, reveja as regras de utilização do dispositivo.

O que fazer se seu filho receber conteúdo sexual?

Esse é um momento em que a tranquilidade dos adultos é importante.

Não culpe a criança.

Não ameace.

Não transforme a conversa em um interrogatório.

Procure entender:

  • quem enviou;
  • quando aconteceu;
  • em qual plataforma;
  • se houve ameaça;
  • se a pessoa está tentando exigir alguma coisa;
  • se existem outras mensagens relacionadas.

Preserve as informações necessárias para uma eventual denúncia e evite redistribuir imagens ou vídeos.

Se houver indícios de exploração, abuso, ameaça ou extorsão, procure os canais oficiais de proteção.

No Brasil, o Disque 100 recebe denúncias de violações de direitos humanos e funciona 24 horas por dia. O serviço pode receber denúncias de qualquer pessoa, inclusive de forma anônima.

O que fazer diante de uma ameaça online?

Se alguém estiver ameaçando seu filho, não trate a situação simplesmente como uma “briga de internet”.

Preserve as evidências.

Faça capturas de tela quando apropriado e registre:

  • nome de usuário;
  • endereço do perfil;
  • data e horário;
  • mensagens;
  • links;
  • arquivos relacionados.

Depois, utilize as ferramentas de denúncia da plataforma.

Dependendo da gravidade, procure também as autoridades competentes.

O Governo Federal orienta que o Disque 100 recebe denúncias de violações contra crianças e adolescentes tanto no ambiente online quanto offline.

Cuidado com imagens produzidas por inteligência artificial

Esse é um risco que ganhou importância nos últimos anos.

A inteligência artificial pode ser utilizada para criar imagens e vídeos falsos ou manipular imagens existentes.

O UNICEF alertou em 2026 que a IA generativa está tornando algumas formas de cyberbullying mais rápidas, direcionadas e difíceis de detectar, incluindo o uso de deepfakes e aplicativos capazes de produzir imagens sexualizadas falsas.

Por isso, a educação digital precisa acompanhar a evolução da tecnologia.

Hoje, ensinar uma criança a identificar uma fotografia falsa pode ser tão importante quanto ensiná-la a desconfiar de um perfil falso.

Ensine que uma imagem íntima nunca deve ser compartilhada

Crianças e adolescentes precisam entender que uma imagem íntima pode ser copiada e redistribuída sem controle.

Se alguém pedir uma fotografia íntima, a orientação deve ser clara:

não envie.

Se a criança já tiver enviado, a prioridade deve ser protegê-la e procurar ajuda — não culpá-la.

O medo de punição pode fazer com que ela esconda o problema e fique ainda mais vulnerável a ameaças ou extorsão.

Não compartilhe excessivamente informações sobre seus próprios filhos

A proteção digital também começa nos adultos.

Pais e familiares frequentemente publicam:

  • fotos da criança;
  • nome completo;
  • uniforme escolar;
  • localização;
  • rotina;
  • viagens;
  • informações sobre aniversários;
  • imagens da casa.

Antes de publicar, pense em quanto dessa informação realmente precisa estar disponível publicamente.

O UNICEF recomenda que os próprios adultos sejam cuidadosos com aquilo que compartilham sobre os filhos e sirvam de exemplo de bons hábitos digitais.

Crie regras digitais para a família

Em vez de criar dezenas de proibições, estabeleça algumas regras simples.

Por exemplo:

1. Nunca compartilhe senhas ou códigos.

2. Não converse em privado com desconhecidos sem contar a um adulto.

3. Não envie fotos íntimas.

4. Não clique em links suspeitos.

5. Se algo assustar ou constranger você, conte imediatamente.

6. Não compartilhe informações pessoais.

7. Seja respeitoso com outras pessoas.

8. Não aceite qualquer pedido de amizade.

9. Use as ferramentas de denúncia e bloqueio quando necessário.

10. O que acontece na internet também pode ter consequências fora dela.

Essas regras devem ser adaptadas à idade da criança.

Combine horários e limites para o uso da tecnologia

Segurança digital não significa apenas evitar golpes.

Também envolve construir uma relação saudável com a tecnologia.

O UNICEF recomenda equilibrar atividades online com atividades fora da internet, como brincadeiras, exercícios, convivência familiar e outras formas de recreação.

A família pode estabelecer regras sobre:

  • horários de uso;
  • uso durante as refeições;
  • celular no quarto;
  • utilização durante a madrugada;
  • tempo dedicado a jogos;
  • uso durante os estudos.

Mais importante do que uma regra universal é encontrar um equilíbrio adequado à idade, à rotina e às necessidades da criança.

Não existe uma idade em que a criança fique automaticamente segura

Uma criança de 12 anos não se torna automaticamente capaz de identificar golpes apenas porque completou 12 anos.

Da mesma forma, um adolescente de 16 anos pode ser vítima de engenharia social, cyberbullying ou manipulação.

A autonomia digital deve crescer progressivamente.

O próprio ECA Digital estabelece que a proteção deve considerar a autonomia e o desenvolvimento progressivo da criança e do adolescente.

Isso significa que supervisão e liberdade precisam mudar conforme a maturidade.

O papel dos pais mudou

Antigamente, proteger uma criança significava principalmente saber:

“Onde ela está?”

Hoje também precisamos perguntar:

“Com quem ela está falando?”

“Que aplicativos está usando?”

“Que informações está compartilhando?”

“Que tipo de conteúdo está recebendo?”

“Quem pode encontrá-la?”

“Ela sabe pedir ajuda quando alguma coisa dá errado?”

Esse acompanhamento não precisa significar controlar cada movimento.

Significa participar da vida digital dos filhos.

O ECA Digital mudou a proteção das crianças na internet

O Brasil passou a contar com uma legislação específica sobre a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

A Lei nº 15.211/2025, conhecida como ECA Digital, estabelece regras para produtos e serviços digitais direcionados a crianças e adolescentes ou de acesso provável por esse público.

Segundo a ANPD, a lei criou obrigações para plataformas digitais relacionadas à prevenção e mitigação de riscos, incluindo supervisão parental, aferição de idade, jogos eletrônicos e publicidade comercial.

O Ministério da Justiça destaca que a proteção é uma responsabilidade compartilhada entre família, sociedade, Estado e plataformas.

Isso é importante porque a segurança das crianças não pode depender exclusivamente da capacidade dos pais de acompanhar todas as mudanças tecnológicas.

A tecnologia ajuda, mas não substitui os pais

Filtros, antivírus, controles parentais, configurações de privacidade e mecanismos de segurança são ferramentas importantes.

Mas nenhuma delas consegue substituir uma conversa.

Uma criança precisa saber que pode procurar os pais quando:

  • alguém pedir segredo;
  • receber uma ameaça;
  • encontrar conteúdo perturbador;
  • sofrer bullying;
  • receber uma proposta estranha;
  • clicar em um link suspeito;
  • compartilhar alguma coisa por engano;
  • cometer um erro.

A melhor proteção é aquela que permite que a criança peça ajuda antes que o problema cresça.

Checklist: como proteger meus filhos na internet?

Use esta lista para revisar a segurança digital da família:

Dispositivos

  • Celular, tablet e computador estão atualizados.
  • Aplicativos estão atualizados.
  • Existe uma solução de segurança adequada.
  • Bloqueio de tela está ativado.
  • Recursos de localização são revisados regularmente.

Contas

  • Cada conta possui uma senha forte e única.
  • A autenticação multifator está ativada quando disponível.
  • Senhas não são compartilhadas com amigos.
  • Códigos de autenticação nunca são fornecidos a terceiros.

Redes sociais

  • Perfil configurado com privacidade adequada.
  • Localização não é compartilhada publicamente.
  • Mensagens de desconhecidos são limitadas.
  • A criança sabe bloquear e denunciar usuários.

Jogos

  • Configurações de privacidade foram revisadas.
  • Chat de voz e mensagens estão configurados adequadamente.
  • Compras dentro do jogo estão protegidas.
  • A criança sabe que outros jogadores podem não ser quem dizem ser.

Educação

  • A criança sabe o que é phishing.
  • Sabe que não deve compartilhar informações pessoais.
  • Sabe que não deve enviar imagens íntimas.
  • Sabe como denunciar cyberbullying.
  • Sabe que pode conversar com um adulto quando algo der errado.

Como proteger meus filhos na internet: a resposta não é proibir

A internet oferece oportunidades importantes para crianças e adolescentes.

Ela permite aprender, criar, brincar, conversar, participar de comunidades e desenvolver novas habilidades. O próprio UNICEF destaca esses benefícios ao mesmo tempo em que chama atenção para riscos relacionados à privacidade, segurança, conteúdo prejudicial, violência e exploração.

Por isso, simplesmente retirar a internet da vida dos filhos não resolve o problema.

O caminho mais seguro é combinar educação, diálogo, supervisão adequada à idade, configurações de privacidade, ferramentas de segurança e participação dos pais.

A tecnologia pode ajudar a proteger.

Mas a criança precisa, principalmente, saber que existe alguém do outro lado da tela disposto a ouvi-la.

Conclusão

Como proteger meus filhos na internet?

Comece conversando.

Ensine seus filhos a proteger informações pessoais, reconhecer comportamentos suspeitos, desconfiar de perfis desconhecidos, utilizar configurações de privacidade e pedir ajuda quando alguma coisa parecer errada.

Mantenha os dispositivos atualizados, utilize recursos de segurança e, quando apropriado, ferramentas de controle parental.

Mas não transforme a segurança digital em vigilância permanente.

Crianças e adolescentes precisam aprender gradualmente a navegar pelo mundo digital com autonomia e responsabilidade. O ECA Digital reforça justamente a necessidade de considerar essa autonomia e o estágio de desenvolvimento de cada pessoa.

E existe uma regra que vale para praticamente qualquer situação:

se seu filho tiver medo de contar o que aconteceu na internet, a proteção já começou tarde demais.

Crie desde cedo um ambiente em que ele saiba que pode procurar você.

Porque, no fim, a melhor ferramenta de segurança digital não é um aplicativo.

É confiança.

Perguntas frequentes

Como proteger meu filho na internet?

Combine diálogo, educação digital, supervisão adequada à idade, configurações de privacidade, dispositivos atualizados e ferramentas de segurança. O UNICEF recomenda estabelecer regras claras, conversar sobre privacidade e acompanhar as atividades online das crianças.

Devo instalar um aplicativo de controle parental?

Pode ser útil, principalmente para crianças mais novas. Ferramentas de controle parental podem ajudar com filtros de conteúdo, pesquisa segura, tempo de tela e outros recursos. O importante é utilizá-las de forma proporcional à idade e acompanhadas de diálogo.

Meu filho deve ter redes sociais?

A decisão deve considerar idade, maturidade, regras da plataforma e legislação aplicável. Mais importante do que simplesmente permitir ou proibir é conversar sobre privacidade, contatos, conteúdo e mecanismos de denúncia.

Como saber se meu filho está sofrendo cyberbullying?

Observe mudanças importantes de comportamento, isolamento, medo ou sofrimento relacionados ao uso da internet. Esses sinais não provam que exista cyberbullying, mas justificam uma conversa cuidadosa. O UNICEF recomenda procurar um adulto de confiança e guardar evidências quando houver abuso.

O que fazer se alguém ameaçar meu filho pela internet?

Preserve as evidências, evite confrontar o agressor, utilize as ferramentas de denúncia da plataforma e procure as autoridades competentes quando necessário. No Brasil, o Disque 100 recebe denúncias relacionadas a violações de direitos humanos, inclusive contra crianças e adolescentes.

O que fazer se um desconhecido pedir fotos ao meu filho?

Oriente a criança a não enviar as imagens, interromper o contato e contar imediatamente a um adulto de confiança. Se houver ameaça, extorsão, abuso ou exploração, preserve as informações relevantes e procure os canais oficiais de denúncia.

É seguro meu filho conversar com pessoas que conheceu em jogos?

Não é possível presumir que uma pessoa conhecida em um jogo seja quem afirma ser. Crianças devem ser orientadas a não compartilhar informações pessoais e a procurar um adulto quando alguém tentar estabelecer contato privado ou fizer perguntas inadequadas.

Como proteger a privacidade do meu filho?

Revise as configurações de privacidade das redes sociais, limite quem pode visualizar informações e localização, utilize senhas fortes e autenticação multifator e ensine a criança a não compartilhar dados pessoais.

Meu filho precisa de antivírus?

O UNICEF recomenda o uso de antivírus para proteger dispositivos. Além disso, mantenha sistema operacional e aplicativos atualizados.

O controle parental substitui a conversa?

Não. Ferramentas podem reduzir determinados riscos, mas não conseguem ensinar a criança a reconhecer manipulação, cyberbullying, phishing ou comportamento inadequado. Educação e diálogo continuam sendo essenciais.

O que é o ECA Digital?

É a Lei nº 15.211/2025, que estabelece regras para a proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais. A legislação prevê obrigações para plataformas e aborda temas como segurança, privacidade, supervisão parental, aferição de idade, jogos e publicidade.

O ECA Digital é responsabilidade apenas dos pais?

Não. O Ministério da Justiça destaca uma responsabilidade compartilhada entre família, sociedade, Estado e plataformas.

Existe algum canal para denunciar violência contra crianças na internet?

Sim. No Brasil, o Disque 100 recebe denúncias de violações de direitos humanos e funciona 24 horas por dia. O Governo Federal também disponibiliza outros canais de atendimento e denúncia.

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