10 golpes virtuais que estão enganando brasileiros

Resumo Executivo
Golpes virtuais têm crescido de forma alarmante no Brasil nos últimos anos. Em 2025, estima-se que cerca de 24% dos brasileiros acima de 16 anos foram vítimas de algum golpe digital, totalizando mais de 40 milhões de pessoas afetadas. Entre março de 2025 e fevereiro de 2026, foram registradas 34,5 bilhões de tentativas de fraudes digitais no país. As perdas financeiras também são altas: só em 2025, 16,5 milhões de brasileiros tiveram prejuízos que somaram cerca de R$ 21,2 bilhões. Os golpes se sucedem de forma acelerada – muitos resultados mostram uma média de vários ataques por minuto sobre cidadãos comuns.
As estratégias variam, mas têm em comum a engenharia social (convencer a vítima a agir de forma precipitada) e o uso de canais digitais de massa, como mensagens em apps, SMS, e-mails ou sites falsos. Os criminosos se aproveitam de momentos de urgência, ofertas atrativas ou fingem ser pessoas e empresas conhecidas. Para cada tipo de golpe, há pistas de alerta (promessas exageradas, erros de digitação em mensagens, URLs estranhas, pedidos de dados sensíveis ou dinheiro etc.), além de prejuízos possíveis que vão além do financeiro – incluindo roubo de identidade e exposição de dados pessoais.
Este artigo apresenta 10 golpes virtuais atuais (2024–2026) que estão enganando brasileiros. Para cada golpe, descrevemos seu funcionamento, vetores de ataque, exemplos ou estatísticas brasileiras, sinais de alerta e medidas de prevenção e resposta imediata (incluindo contatos úteis como bancos, Polícia e Procon). Ao final, trazemos recomendações gerais de segurança digital e uma lista de recursos oficiais e de empresas de segurança para consulta. O objetivo é munir o leitor de informações práticas e confiáveis para reconhecer e evitar fraudes online cada vez mais sofisticadas.
1. Golpe do WhatsApp clonado
Como funciona: Criminosos obtêm o número de celular e nome da vítima e tentam clonar a conta do WhatsApp em outro aparelho. Para isso, bastam informações básicas (por exemplo, nome e WhatsApp ativo em outra conta) e acesso ao código de ativação enviado por SMS. Os golpistas entram em contato fingindo ser empresas ou até o próprio WhatsApp, pedindo o código de verificação enviado ao usuário, sob pretextos de suposta falha, atualização ou “protocolo de segurança”. Com esse código, registram o WhatsApp no celular do criminoso e impedem a vítima de acessá-lo. Em seguida, usam a conta clonada para extorquir contatos (pedir dinheiro a amigos/familiares) ou espalhar links maliciosos.
Exemplos e estatísticas: Em 2024, a Febraban contabilizou 153 mil casos de golpes envolvendo WhatsApp – o tipo mais frequente no período. Os relatos incluem tanto clonagem pura quanto mensagens onde o criminoso finge ser amigo ou parente pedindo ajuda financeira urgente. Há também variantes em que o golpista se apresenta como funcionário do “suporte técnico” de um aplicativo ou loja virtual.
Sinais de alerta: Desconfie se um contato no WhatsApp pedir códigos de verificação ou senha, mesmo que aparente ser conhecido. Jamais envie por mensagem o código que o WhatsApp lhe envia por SMS. Fique atento a mensagens com erros de português ou que direcionam você para páginas externas. Outros sinais incluem atividades suspeitas no próprio aplicativo: se você for desconectado inesperadamente, pode ser sinal de clonagem.
Prevenção: Ative verificação em duas etapas no WhatsApp: defina uma senha pessoal que será solicitada periodicamente (isso impede que alguém registre sua conta sem ela). Mantenha o sistema do seu celular e apps de segurança atualizados. Nunca instale aplicativos fora das lojas oficiais nem clique em links desconhecidos no WhatsApp. Se suspeitar de clonagem (por exemplo, o app pede código sem você ter solicitado), desligue o telefone, remova o chip e entre em contato pela internet por outro canal para desativar o WhatsApp (pelo site oficial ou suporte).
Se cair no golpe: Informe imediatamente seus contatos que sua conta foi clonada e peça para ignorarem quaisquer pedidos de dinheiro ou links. Abra outro aparelho com seu chip e restaure o WhatsApp para recuperar a conta (ele desativará o aparelho do golpista). Em seguida, registre boletim de ocorrência (BO) na polícia (delegacia local ou especializada em crimes cibernéticos) informando o ocorrido e preserve evidências (capturas de tela de conversas). Se o golpe resultou em perdas financeiras (por exemplo, alguém transferiu dinheiro para o criminoso), comunique seu banco para bloquear transações suspeitas.
2. Golpe do Pix e cobranças falsas
Como funciona: O Pix é o sistema de pagamento instantâneo do Brasil, mas também alvo de fraudes. As modalidades mais comuns incluem:
- “1 centavo”: O golpista envia ou recebe uma transferência de R$ 0,01 e, em seguida, entra em contato pedindo para o usuário estornar esse valor (por engano). O aplicativo do banco, então, procura identificar “onde está o dinheiro”. Se for iludido e acessar o link indicado, a vítima pode cair em phishing (page falsa) ou enviar senha para o criminoso.
- QR Codes falsos ou maliciosos: São criados em páginas falsas de comércio eletrônico, onde a vítima acredita pagar uma compra ou boleto, mas o Pix vai para conta de golpista.
- Cobradores falsos: Chamados de “golpe do boleto”. O usuário recebe boleto ou QR code por e-mail, SMS ou WhatsApp, paga normalmente acreditando tratar-se de um tributo ou compra, mas o boleto é falso e o dinheiro vai para uma conta fraudulenta.
- Golpe do reembolso de Pix: Depois de enganar a vítima em outro esquema, o criminoso pede um Pix “de devolução” de um valor que alega ter sido depositado por engano, pondo a vítima como responsável pela transferência.
- Coerção ou assédio via Pix: Uso indevido do sistema para forçar transferências sob ameaças (Projeto de lei nº 4489/2025 busca punir essas práticas).
Exemplos e estatísticas: Segundo o Anuário de Segurança 2025, golpes via Pix representam 24% dos estelionatos eletrônicos no país. O Senado ressalta que o Pix já é usado por 170 milhões de brasileiros, o que atrai criminosos, especialmente por meios rápidos como anúncios falsos e perfis falsos nas redes sociais. Novas regras do Banco Central (2016) incluem o Mecanismo Especial de Devolução (MED), que permite ao usuário contestar imediatamente uma transação suspeita e bloquear valores na conta de destino. Comprovada a fraude, o dinheiro é devolvido ao pagador. Entretanto, isso exige que o golpe seja rapidamente relatado ao banco.
Sinais de alerta: Desconfie de cobranças inesperadas por e-mail, WhatsApp ou telefone, especialmente se pedirem PIX ou boleto para contas desconhecidas. Verifique antes de tudo o beneficiário no próprio app bancário (o PIX mostra o CPF/CNPJ e nome). No caso do golpe do “1 centavo”, lembre-se: ninguém precisa estornar R$ 0,01, e o Banco Central só fez essa medida de proteção. Se receber uma oferta ou cobrança por e-mail ou WhatsApp, cheque o domínio de onde veio, e nunca abra links enviados por desconhecidos. Fique atento a pedidos urgentes de pagamento para “cancelar” fraudes ou “liberar” supostos créditos, pois frequentemente são armadilhas.
Prevenção: Mantenha o app do banco atualizado. Reveja suas chaves Pix em contatos confiáveis e confirme sempre nome e cpf no aplicativo antes de pagar. Consulte fontes oficiais (site ou SAC do seu banco) em caso de dúvidas. Use medidas de segurança adicionais do Pix, como verificar corretamente o nome do recebedor. Ative notificações do banco (push ou SMS) para cada transação Pix, assim você será alertado imediatamente caso algo estranho ocorra. Nunca compartilhe tokens ou OTPs bancários por telefone.
Como reagir: Ao receber qualquer transação suspeita, conteste imediatamente pelo aplicativo do seu banco. Se o app não resolver, ligue para o SAC ou ouvidoria do seu banco e guarde o número de protocolo. O banco deverá acionar o MED para bloquear o repasse. Além disso, registre Boletim de Ocorrência (delegacia policial ou plataforma online) para formalizar a denúncia – muitos estados já permitem boletim online para golpes financeiros. Se o banco não ressarcir, registre reclamação no Banco Central pelo número 145 ou pelo portal de atendimento do Banco Central.
3. Clonagem e troca de cartão de crédito/débito
Como funciona: Neste golpe (muitas vezes chamado de “clonagem” ou “man-in-the-middle”), um vendedor ou funcionário desonesto troca seu cartão no momento da compra. Enquanto digita a senha na maquininha, o criminoso pega seu cartão e devolve outro (ou o próprio cartão, mas sem que a vítima perceba a troca). Com seu cartão e senha, podem fazer compras em seu nome. Variante semelhante é quando um golpista se faz passar por funcionário do banco e diz que enviará um motoboy falso para recolher o cartão, pegando-o para “fraude”. Cortar o cartão ou “encerrar” na frente da vítima não impede o chip de funcionar – assim ele é usado pelos bandidos.
Exemplos e estatísticas: Esse tipo de golpe foi o mais citado numa pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2026, aparecendo em 45% dos casos de estelionato digital. O Febraban alerta para se lembrar de “sempre passar você mesmo o cartão e conferir o valor na tela da maquininha” para evitar trocas fraudulentas.
Sinais de alerta: Fique atento se o vendedor lhe pedir o cartão várias vezes, trocar de maquininha sem motivo claro, ou se a compra parecer mais demorada do que o normal na hora de efetuar o pagamento. Se receber recibo com valores incorretos ou ver qualquer sinal de adulteração no aparelho de pagamento. O golpe do motoboy, em particular, envolve ligações onde pedem para cortar o cartão e avisam que alguém “irá até sua casa buscar o cartão”. Lembre-se: nenhum banco envia motoboy para recolher seu cartão.
Prevenção: Ao fazer compras, nunca entregue seu cartão; passe-o você mesmo na maquininha e confirme se é realmente o seu cartão que a maquininha devolve. Evite digitar a senha de forma completamente visível, cubra a mão e senha. Prefira estabelecimentos confiáveis. Em caso de atendimento telefônico suspeito que mencione problemas no cartão, desligue imediatamente e ligue de volta para o canal oficial do banco (usando o número no verso do cartão ou no site oficial) para checar a veracidade.
Como reagir: Caso perceba que o cartão foi trocado ou um golpista tentou levá-lo, contate seu banco imediatamente para bloquear o cartão físico e a conta associada. Faça BO na Polícia Civil (ou Delegacia de Crimes contra o Consumidor) relatando a fraude. Se ocorrer movimentação indevida, notifique o banco e acompanhe a contestação. Além disso, alerte o Procon (via telefone ou site consumidor.gov.br) pois golpes em estabelecimentos comerciais podem ser denunciados como prática abusiva.
4. Falsa central de atendimento / falso funcionário
Como funciona: O criminoso liga ou envia mensagem se passando por funcionário de banco, operadora de cartão, empresa de serviço ou órgão de governo. Alega “problemas na sua conta”, “atualização do sistema”, “bloqueio de cartão”, “atualização cadastral” etc. e pede dados pessoais, senhas ou códigos de segurança. Pode instruir a vítima a instalar um aplicativo ou clicar em link para “resolver o problema” – mas esse app falso rouba dados ou dá acesso remoto (golpe da “mão fantasma”). Em outras variações, orientam transferências “de volta” para contas aparentemente oficiais (que, na verdade, são dos criminosos).
Exemplos e estatísticas: Golpes por telefone ou WhatsApp fingindo ser atendimento bancário são frequentes. Em 2024, 28% das 523 mil fraudes reportadas pela Febraban envolveram o golpe do WhatsApp/Falso atendente. Estudos apontam que 31% dos estelionatos digitais citam falsas centrais telefônicas como método de abordagem. Relatos incluem pedidos de atualização de senha, confirmação de transação ou “envio de link para solucionar problema”.
Sinais de alerta: Bancos NUNCA pedem informações como senha, códigos de confirmação, cartão ou CPF por telefone ou mensagem. Desconfie se alguém liga alegando falar do seu banco e faz urgentes exigências de dados. Verifique a origem da chamada (número oficial ou suspeito). Se for orientado a instalar algo no celular, suspeite: bancos jamais pedem instalação de aplicativos fora da loja oficial. Mensagens com pressão (“urgente, só hoje”, “confirme já”) ou pedido de dinheiro a serem enviados para “análise” ou “correção” são sinal de golpe.
Prevenção: Mantenha sempre os canais oficiais do seu banco em mãos. Se receber contato suspeito, desligue e telefone você mesmo para o número oficial do banco (fundo do cartão ou site). Em geral, o próprio cliente nunca precisa ligar ou passar senha para resolver irregularidades detectadas – os bancos podem ligar para você, mas sem nunca pedir senha ou transferência. Desconfie de links enviados por SMS ou WhatsApp por supostos atendentes. Se ofereceram “aplicativo” para consertar problemas, não instale nada sem checar.
Como reagir: Encerre imediatamente ligações suspeitas. Anote número ou salve conversa. Informe seu banco pela central oficial sobre a tentativa de contato. Registre BO para ajudar nas investigações (mensageiros e números podem ser rastreados pela polícia). Caso transferências sejam ordenadas, tente bloqueá-las no banco e explique a situação ao gerente. Se perder dinheiro, contate Banco Central e PROCON para orientação adicional (por exemplo, se for golpe disfarçado de serviço público ou cooperativa).
5. Golpe do falso emprego
Como funciona: Criminosos exploram a ansiedade por trabalho oferecendo vagas “imperdíveis” por e-mail, WhatsApp ou redes sociais. Anunciam salários acima do mercado e recrutamento rápido e fácil. O candidato interessado, então, é induzido a fazer pagamentos ou fornecer dados pessoais. Exemplos comuns: pedem dinheiro para cursos de reciclagem (falsos treinamentos), para exames médicos obrigatórios (falsos boletos), para “assinatura digital” de contrato, ou ainda solicitam documentos e dados bancários para “completar cadastro”. Tudo é mentira: o objetivo é roubar dados (documentos, CPF, fotos de carteiras) ou diretamente extorquir dinheiro.
Exemplos e estatísticas: A Febraban e bancos associados alertam que dados de candidatos (vazados em sites de emprego) são usados para esse golpe. Não há estatísticas consolidadas do setor público, mas casos têm sido reportados frequentemente. Em 2026, a Febraban publicou orientações sobre o golpe do falso emprego nas redes sociais e imprensa, destacando como já é comum receber ofertas falsas em grupos de WhatsApp e LinkedIn.
Sinais de alerta: Cuidado com propostas que ofereçam salários muito altos ou façam poucas exigências. Desconfie se pedem pagamentos antes de qualquer contratação ou exigem documentos pessoais sensíveis sem transparência. E-mail de recrutador sem domínio corporativo (ex.: usa e-mail gratuito) ou mensagens via redes sociais de perfis pessoais devem ser verificadas. Sinais comuns: falta de entrevista presencial ou vídeo formal, pressa excessiva do “recrutador” e pedidos de dinheiro ou informações sigilosas por WhatsApp.
Prevenção: Pesquise a empresa anunciada em sites confiáveis e LinkedIn. Verifique se há vaga oficial divulgada no site corporativo. Não clique em links enviados diretamente; visite páginas oficiais. Não envie documentos como RG/CPF/carteira de trabalho via mensagem sem ter certeza da idoneidade. Lembre: empresas sérias não cobram nada do candidato (nem taxas, nem exames pagos, nem assinatura paga). Na dúvida, contate diretamente a empresa pelo site oficial ou telefone.
Como reagir: Se detectar um anúncio falso, denuncie: informe a plataforma de emprego (LinkedIn, Indeed, etc.) ou órgão regulador (Ministério do Trabalho). Se já pagou algo, peça estorno imediatamente no banco e registre BO por estelionato. Você pode também reclamar no Procon se o golpe envolve empresa com endereço fixo. Guarde mensagens e comprovantes para ajudar polícia e bancos a rastrear a operação.
6. Golpe de investimento/falso negócio
Como funciona: O golpista cria sites e perfis falsos de empresas de investimentos ou de criptomoedas, prometendo altos retornos rápidos. Usam depoimentos falsos e “vindas de especialistas” para atrair vítimas. Muitas vezes permitem que o interessado faça um primeiro investimento pequeno e até retornem algum dinheiro para criar confiança. Em seguida, convencem a pessoa a investir valores maiores. Depois que conseguem um montante significativo, desaparecem com o dinheiro.
Exemplos e estatísticas: Na lista da Febraban de golpes comuns, o “falso investimento” foi citado como técnica em 2024. Empreendimentos fraudulentos desse tipo já figuram em investigações de polícia, muitas vezes associadas a pirâmides financeiras online. A Autoridade de Conduta Financeira (na Europa) tem alertado para empresas que se aproveitam do interesse em criptomoedas, um quadro similar ao brasileiro.
Sinais de alerta: Promessas de retorno muito acima do mercado (ex.: ganhos mensais garantidos de 10%, “lucro fácil” etc.) são típicas de fraude. Pesquise o CNPJ ou registro CVM da empresa anunciada. Se o site é recém-criado, cheio de fotos genéricas e contatos suspeitos, desconfie. Não forneça dinheiro a pessoas físicas ou contas sem nome de empresa. Cuidado se houver pressão para investir rápido, com “última chance” ou se o suposto investidor indica o esquema por redes sociais.
Prevenção: Antes de investir, consulte se a empresa está registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Use apenas corretoras/bancos oficiais. Desconfie de “consultores” que abordam você por rede social. Nunca repasse seu CPF, senha ou carteiras digitais a terceiros. Mantenha o antivírus ativo ao navegar em sites de finanças. E, caso o “investimento” envolva download de aplicativos, veja se são apps oficiais (nas lojas Google Play ou App Store).
Como reagir: Se perceber que foi vítima, tente interromper transferências futuras (sacando valores antes que o criminoso peça). Registre BO por estelionato e leve evidências (comprovantes de transferência, cópia de perfis falsos). Notifique a CVM e bancos que possam rastrear contas usadas no golpe. Em alguns casos, é possível pedir ajuda para recuperar valores via Banco Central e Polícia Federal (em fraudes financeiras de grande monta). O Procon também pode orientar em fraudes a consumidor, especialmente se houver denúncias similares.
7. Golpe da compra/venda falsa (e-commerce e redes sociais)
Como funciona: Golpistas criam lojas virtuais ou perfis falsos em redes sociais oferecendo produtos com preços muito abaixo do mercado. Usam fotos e descrições idênticas às de lojas legítimas, porém nunca entregam o produto após o pagamento. Também criam “promoções relâmpago” ou falsas páginas de e-commerce, e-mail marketing falso ou cupons fraudulentos. Quando a vítima paga (via cartão, transferência ou Pix), ou a loja some ou envia produto falsificado de baixa qualidade. Há ainda variações: anunciam produto real (uma TV por R$ 300, por exemplo) e, quando o comprador paga, dizem que acabou o produto e “reembolsam” parcialmente pedindo para pagar novamente o restante, mantendo parte do dinheiro.
Exemplos e estatísticas: O estudo da GASA indica que 22% das tentativas de golpe vêm de fraudes relacionadas a compras online. Em 2025, pesquisas mostram que lojas/compra falsa apareciam em cerca de 10% das denúncias de golpes no Brasil. Esses golpes se aproveitam especialmente de anúncios e perfis falsos em plataformas como Instagram e Facebook.
Sinais de alerta: Preços muito atraentes são suspeitos. Verifique se o site tem selo de segurança (URL “https” e cadeado no navegador). Procure referências da loja (busque nome da empresa em Reclame Aqui e Procon, veja endereço físico). Evite links recebidos por e-mail ou WhatsApp – digite você mesmo o endereço do site. Veja comentários de outros compradores e pesquise fotos de produtos (às vezes repostadas de lojas conhecidas). Em caso de dúvidas, prefira comprar em sites oficiais ou lojas de confiança.
Prevenção: Pesquise a reputação de novos perfis de venda. Prefira meios de pagamento seguros (cartão de crédito, que pode ter estorno em caso de fraude). Guarde comprovantes e prints de conversa. Mantenha o antivírus e navegador atualizados (alguns oferecem alertas de sites fraudulentos). Em compras por redes sociais, use o recurso de “checkout” das próprias plataformas, quando disponível, pois há alguma segurança adicional. Desconfie de solicitações de compra feitas por número de WhatsApp desconhecido.
Como reagir: Se você foi enganado, registre BO por estelionato e envie ao delegado todas as informações (site, comprovante de pagamento, conversas). Denuncie também ao PROCON e aos administradores da plataforma (Facebook Marketplace, OLX etc.) para que tirem o anúncio. Se pagou com cartão, contate a administradora para contestar a cobrança (débito automático) ou peça estorno. O próprio site do Banco Central orienta consumidores em fraudes via compras online. Lembre-se de alertar amigos para que não caiam no mesmo golpe.
8. Golpe do boleto e pagamento fraudulento
Como funciona: O golpista altera boletos bancários para que o pagamento seja depositado em sua conta. Pode fazer isso de duas formas comuns: falsifica completamente o boleto (criando um novo com dados próprios) ou modifica o boleto original (por exemplo, alterando o código de barras enviado por e-mail, sem que a vítima perceba, de modo que o dinheiro vai para a conta do fraudador). Isso costuma acontecer por e-mail (enganando empresas ou profissionais liberais) ou por mensagens que se passam pela empresa legítima cobrando um débito.
Exemplos e estatísticas: Em 2024, o “golpe do falso boleto” foi citado por bancários como uma das fraudes recorrentes. Embora não seja tão alto como WhatsApp ou Pix em volume de vítimas, trata-se de um risco clássico que continua ocorrendo, principalmente via e-mail phishing.
Sinais de alerta: Sempre confira atentamente os dados do beneficiário do boleto (CPF/CNPJ do emissor, nome da empresa, valor) no momento do pagamento. No app do banco, antes de confirmar o pagamento, verifique se o nome exibido do recebedor corresponde ao que deveria receber. Boletos de órgãos públicos ou empresas conhecidas são fáceis de verificar pelo site oficial. Se recebessem boletos por e-mail inesperados ou com remetente desconhecido, desconfie.
Prevenção: Digitando o código de barras manualmente (ou escaneando via app do banco), o próprio sistema mostra a quem o dinheiro vai. Aproveite essa conferência automática para detectar fraude. Utilize bancos ou apps com função de “descrição do beneficiário” visível antes de concluir. Mantenha o antivírus e filtros de spam ligados, para diminuir chances de abrir e-mails falsos. Na dúvida, consulte o emissor do boleto por outro canal (telefone, site oficial) antes de pagar.
Como reagir: Se você pagou um boleto falso, contate imediatamente sua instituição financeira para tentar estornar o pagamento (os bancos podem reagir se for flagrada falsificação de boleto no débito). Em seguida, registre BO e forneça o comprovante de pagamento. A empresa ou órgão original deve ser avisado para que não existam duplas cobranças. Dependendo do caso, o juiz pode determinar o bloqueio das contas envolvidas após investigação policial, mas é importante agir rápido.
9. Phishing e ransomware (pescaria digital)
Como funciona: Phishing é o envio de mensagens, e-mails ou links falsos que imitam empresas e instituições para obter dados ou induzir a vítima a baixar malware. Por exemplo, o usuário pode receber um e-mail “do banco” pedindo para atualizar a senha através de um link. Em outro caso, é criada uma página falsa (site que imita o original) onde a vítima digita seu login e senha. Ransomware é uma variante onde, ao clicar em link ou abrir anexo malicioso, um software mal-intencionado criptografa os arquivos do computador, exigindo resgate em dinheiro para devolvê-los.
Exemplos e estatísticas: Kaspersky reportou que seu sistema antiphishing bloqueou 554 milhões de acessos a links falsos em 2025. No Brasil, e-mails e mensagens fraudulentas têm sido usados até para oferecer ingressos “grátis” e vagas de emprego falsas. Em 2026, 41% dos brasileiros afirmaram não confiar em reconhecer um golpe, e 40% só perceberam que foram lesados após alertas de terceiros – sinal da grande variedade de técnicas de phishing.
Sinais de alerta: Desconfie de e-mails e SMS que pedem para clicar em link “urgentemente” ou fazer download de anexos inesperados, mesmo que pareçam vir de amigos ou empresas conhecidas. URLs estranhas (com erros de grafia ou domínios estranhos) são indício clássico. Falta de personalização na mensagem (“Prezado cliente” genérico) também denuncia phishing. No caso de ransomware, sinais incluem atividades estranhas no computador (arquivos criptografados com nomes estranhos) e cobranças de resgate em tela.
Prevenção: Nunca clique em links em e-mails/sms suspeitos. Passe o mouse sobre links para ver o endereço real. Mantenha sistema operacional e antivírus atualizados; eles podem detectar sites maliciosos e anexos perigosos. Faça backup regular de arquivos importantes para mídia externa ou nuvem – se sofrer ransomware, você não perde tudo. Utilize autenticação de dois fatores em contas de e-mail e redes sociais. Em redes sociais, cuidado ao responder mensagens de pessoas desconhecidas oferecendo “promoções” ou “passaportes”, por exemplo.
Como reagir: Se você foi vítima de phishing e forneceu senha bancária, troque-a imediatamente em seu banco. Se baixou malware, desconecte do Wi-Fi, desligue o computador e leve a um técnico. Para ransomware, a recomendação oficial é NÃO pagar o resgate (não há garantia de recuperação) – procure ajuda profissional e registre BO. Notifique o CERT.br de sites e e-mails de phishing (spam-abuse@cert.br) para que sejam bloqueados. Se houver perda financeira, informe seu banco e faça BO detalhando o ataque.
10. Golpe da nota fiscal premiada e outras promoções falsas
Como funciona: Criminosos criam promoções, concursos ou falsos sorteios (como de uma “nota fiscal premiada”, tablet grátis, ou campanha de vacinação) para induzir a vítima a fornecer dados pessoais, pagar taxas ou clicar em links infectados. Por exemplo, enviam e-mail ou WhatsApp dizendo que você ganhou um prêmio, mas precisa pagar R$ 10 para liberar ou confirmar CPF em um site falso. Ao preencher formulários, você entrega número de CPF, senhas, dados bancários ou mesmo permite a instalação de malware.
Exemplos e estatísticas: Embora menos comentado que Pix ou WhatsApp, o golpe da nota fiscal e afins é comum no país. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária já alertou contra campanhas falsas de vacinação gratuita, por exemplo. Muitos casos circulam no estado de São Paulo, onde programas reais de prêmios de notas existem – e os golpistas se aproveitam da semelhança para aplicar fraudes. Em 2025, até relatos de “reembolso de imposto de renda” falso foram reportados.
Sinais de alerta: Seja cético diante de qualquer “sorteio” que peça pagamento antecipado ou que envie links por mensagem. Campanhas oficiais não cobram nada do cidadão. E-mails com erros de português, logotipo malfeito, ou URLs estranhas são quase sempre falsos. Além disso, órgãos públicos (como Receita, Anvisa, IGP) nunca entram em contato por WhatsApp para prêmios.
Prevenção: Não clique em links recebidos sem checar a fonte. Pesquise na internet o nome da promoção antes de participar. Confira se há notícias ou alertas oficiais (sites dos governos estaduais, ANPD, sites de jornais) sobre promoções legítimas. Proteja seu e-mail e WhatsApp contra sequestros (senha forte e cópias de segurança). Desconfie especialmente de mensagens em corrente no WhatsApp que oferecem prêmios e pedem para você repassar a outras pessoas – geralmente são vírus ou scams.
Como reagir: Se caiu num desses golpes, bloqueie o criminoso (apague o contato/mensagem), exclua qualquer app instalado e troque senhas imediatamente. Registre BO relatando a fraude, especialmente se houve fornecimento de documentos. No caso de roubo de CPF, informe o Serasa (site Serasa Acredito) e o Procon para evitar uso indevido de dados. Para phishing via nota fiscal, envie denúncia ao site oficial das secretarias estaduais da fazenda (que cuidam das notas premiadas verdadeiras) e ao CERT.br.
Sequência típica de um golpe
Abaixo, uma representação em fluxo das etapas comuns em muitos golpes virtuais. Em geral, o atacante inicia pela engenharia social, convence a vítima a fornecer dados/baixar algo, executa o golpe e então obtém dinheiro ou informações.
Tabela comparativa (vetores e prevenção)
| Golpe | Vetor de ataque | Principais medidas de prevenção |
|---|---|---|
| WhatsApp clonado | SMS de código falso, ligação ou mensagem fingindo atendimento | Ativar verificação em duas etapas; não informar código de verificação a ninguém |
| Fraude via Pix (ex.: QR code, “1 centavo”) | QR Code falso, links, telefonemas pedindo estorno | Confirmar recebedor no app; contestar transação imediatamente; usar MED do BC |
| Clonagem/troca de cartão | Troca física do cartão na maquininha; ligação de “banco” + motoboy | Passe o cartão você mesmo; confira valor; nunca entregue cartão e senha; desconfie de motoboy do banco |
| Falsa central bancária | Telefone ou WhatsApp fingindo ser do banco | Cortar ligação e ligar em números oficiais; não enviar senhas/códigos por mensagem |
| Falso emprego | Anúncios e mensagens nas redes sociais/WhatsApp | Verificar empresa no LinkedIn/site oficial; não pagar por vaga; confirmar e-mail/canal oficial |
| Falso investimento | Sites e perfis falsos na internet | Desconfiar de retorno elevado; consultar registro CVM; não repassar dados confidenciais |
| Compra/venda falsa | Sites falsos, perfis fakes nas redes sociais | Comprar em sites conhecidos; confirmar reputação do vendedor; verificar URL antes de pagar |
| Boleto falso | E-mail ou SMS com boletos adulterados | Conferir CPF/CNPJ do beneficiário no app; olhar nome do recebedor antes de pagar |
| Phishing (pescaria digital) | E-mail, SMS e links maliciosos | Não clicar em links suspeitos; manter antivírus atualizado; usar MFA em contas |
| Aplicativo / “mão fantasma” | Ligação + envio de app malicioso no celular | Nunca instale apps pedidos por ligação; desligar e falar direto no canal oficial do banco |
Recomendações gerais de segurança digital
- Cuide de senhas e autenticação: Use senhas fortes e diferentes em cada serviço. Ative verificação em duas etapas (2FA) sempre que possível. Nunca compartilhe senhas ou códigos temporários (SMS/e-mail) com ninguém.
- Verifique sempre as fontes: Empresas e órgãos públicos têm contatos oficiais. Cheque se o site do banco/provedor é genuíno (cadeado na barra do navegador) e se o número que ligou é o oficial. Desconfie de urgências injustificadas.
- Proteja seus aparelhos: Mantenha sistema operacional, antivírus e navegadores atualizados. Só instale apps de lojas oficiais (Google Play/App Store). Use soluções de segurança (antivírus, antimalware) para detectar ameaças.
- Use conexões seguras: Evite Wi-Fi público não seguro ao fazer transações bancárias. Prefira redes privadas ou use VPN confiável.
- Faça backups regulares: Guarde cópias de documentos importantes em local seguro ou na nuvem. Assim, se sofrer ransomware ou perda de dados, poderá recuperar informações sem pagar resgate.
- Educação e atenção: Golpistas exploram emoções (medo, ganância). Faça pausas antes de tomar decisões financeiras; consulte terceiros de confiança. Ensine familiares (especialmente idosos) sobre golpes comuns. Em caso de dúvida, confirme sempre e busque informações oficiais.
Recursos oficiais e de segurança
Para se informar e agir em caso de golpe, os seguintes recursos são úteis:
- CERT.br (Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes) – órgão ligado ao NIC.br. Oferece cartilhas, dicas e permite reportar incidentes de segurança (como sites de phishing ou fraudes). Site: cert.br
- Polícia Federal (Comunica PF) – portal para comunicação de crimes. Caso suspeite de golpe, registre ocorrência na PF ou na Delegacia de Crimes Cibernéticos de seu estado.
- Procon e consumidor.gov.br – para golpes envolvendo compras de produtos/serviços, registre reclamação no Procon (órgão de defesa do consumidor). O site consumidor.gov.br (caso disponível em seu estado) atende demandas consumeristas que envolvem fraude de compra/venda.
- Banco Central do Brasil – site e ouvidoria para casos de serviço financeiro. O BC disponibiliza orientações e registro de queixas formais contra bancos que não cumpram regras de ressarcimento (como no Pix). Mais informações sobre segurança do Pix estão em bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/segurancadigital.
- Kaspersky (segurança cibernética) – blog oficial com análises de ameaças atuais e dicas de proteção, inclusive sobre phishing e golpes.
- AV-Comparatives – organização que publica testes de proteção. Embora foque em antivírus, seus relatórios contêm estatísticas globais de malware/phishing.
- ESET e Trend Micro – empresas de segurança que publicam relatórios sobre ameaças digitais. Por exemplo, o ESET Security Report aborda tendências de ataques na América Latina.
- Polícia Civil/Delegacias de Cibercrimes – muitas cidades têm delegacias especializadas em crimes virtuais (busque “Delegacia de Repressão a Crimes Informáticos” da sua região). A SaferNet Brasil também lista contatos de delegacias estaduais.
- Boletins e cartilhas – o próprio CERT.br (NIC.br) disponibiliza cartilhas sobre golpes. Uma em especial, “Golpes: Caiu? Veja o que fazer”, é útil para quem já foi vítima.
Manter-se informado pelos canais oficiais e aplicar boas práticas de segurança são as melhores defesas contra esses golpes. As estatísticas e reportagens citadas (Senado, Febraban, Fórum de Segurança, GASA, Kaspersky) mostram que a profissionalização dos criminosos cibernéticos está em alta. Eles usam de engenharia social, sistemas de pagamento modernos e até recursos de inteligência artificial para enganar. Por isso, desconfiar de ofertas “boas demais para ser verdade” e verificar sempre credibilidade é essencial. Em caso de dúvida, contate órgãos de proteção e só faça transações por canais oficiais. Assim, você reduz muito o risco de cair em um dos golpes que estão enganando milhões de brasileiros.
Fontes: Estatísticas do Senado, Febraban, Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Global Anti-Scam Alliance; estudos e alertas de empresas de segurança como Kaspersky e ESET; além de orientações da Febraban e do Banco Central. Esses materiais fundamentam as descrições acima sobre modalidades de golpes e medidas de precaução.
Veja como uma solução de segurança pode ajudar a proteger seus dispositivos.
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